Sobre o autor.

um peixe dentro d’água.

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Dizem que os peixes não têm consciência da água que os cerca. Quando me sento para escrever, me sinto como eles: alienado, intangível, inerte às sensações que me rodeiam.

Quando me arrisco na labuta de criar, bem de dentro, ouço uma voz a me pedir que escreva sobre os dores do mundo, sobre as injustiças, sobre a fome, a pobreza, a tristeza, sobre todos os males que atormentam a humanidade. A voz argumenta que essa é uma eficiente forma de conscientizar meus leitores, que o poder da palavra está em seu potencial de mudança; mas ela é logo reprimida. Recolhe-se, calada por uma vontade ainda maior: a de escrever sobre as coisas belas, para diferenciá-las das belas coisas, fantásticas, inconcebíveis. Escrever sobre uma borboleta da Lapônia ou sobre o desabrochar de uma rosa australiana. Cantar uma palavra, escrever uma canção, ouvir o brilho do sol, ser ofuscado por um cheiro, deslumbrado pela noite, desmanchado pela cor. Não sou poeta, mas sonho em ser.

Escrever é escapar, é fugir da realidade e não consertá-la. Escrever é criar mundos de personagens meus, de fantoches feitos para cantar e me encantar. É a necessidade de criar caminhos diferentes. Irrealidades, porque o real é um pouco mais preto-e-branco do que deveria ser. Crio vidas imaginárias para personagens que podem ser alter-egos ou apenas a idealização de trabalhadores, de anjos, de insetos ou de catadores de latinha. Pessoas que com o tempo, se tornaram meus amigos, meus confidentes e meus próprios filhos, de quem não posso deixar de ter orgulho.

Sinto-me como os peixes que não têm consciência da água que os cerca. Ficam sozinhos contemplando seus reflexos no vidro do aquário, seus múltiplos reflexos, dos múltiplos aquários. Personagens reais de um mundo inventado. Gênese de um mundo de papel. Um mundo restrito às páginas, às letras digitadas com aprumo, não morada de alguém especial, mas casa de todos aqueles que ainda molham de lágrima as palavras no papel.

4 Comentários

  1. Acácio Penha said,

    Parabéns, meu amigo. Ou, devo chamar de escritor? Amigo! Pois, apesar da distância e dos poucos momentos do compartilhar da presença, “amigo” expressa proximidade e relacionamento. Tenho orgulho de ser seu amigo. Gostei da página na internet. Todos os dias irei visitar e procurar enriquecer das sabedorias que tu transmites a nós leitores. Gosto dos seus textos. Eles são cheios de figuras, trazem a memória imagens do nosso dia a dia. Vivos! Essa é a palavra que os caracteriza. Parabéns! E não se esqueça! Podes contar sempre comigo.
    Abraço!

  2. Srta. cam said,

    Queridissimo, estou contentíssima em te encontrar na dignissima universidadissima nas segundas, terças e quartas… chato como sempre, querido como sempre. Ah! aprovei viu! Interessantíssima, alem de belissima.

    te adorissimo
    camilissima

  3. Srta. cam said,

    lindissima a fotissima!

  4. Jair Viana said,

    O Cleves, mineirinho jeitoso, sábio, humano, demasiado humano,muito me ensinou na crônica policial.Vejo as investigaações dao “Caso Bruno”, com a mesma intensidade de indignação que me lembro do “Caso Cleves”.Espero que Cleves, com a ajuda de Deus, consiga vencer todas as batalhas na Justiça.Ele merece!

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