Delegado do “caso Bruno” forjou provas para incriminar inocente

11 julho, 2010 at 03:02 (Uncategorized)

Delegado Édson Moreira acusou de assassinato um inocente, em 2001

O delegado da Polícia Civil – MG Édson Moreira foi o responsável direto por uma das maiores injustiças cometidas pela instituição. Em dezembro do ano 2000, o jornalista do Estado de Minas José Cleves da Silva, foi vítima de um assalto, cujo desfecho teve sua esposa, Fátima Aparecida de Abreu Silva, assassinada com três tiros a queima-roupa. Contrariando todos os indícios da cena do crime, o delegado da Divisão de Homicídios, Édson Moreira, indiciou José Cleves como acusado do assassinato.

Como ficou provado posteriormente, o inquérito continha falhas técnicas grosseiras, além de tentativas deliberadas de incriminar o suspeito, como produção de laudos falsos, modificação da cena do crime, e contradições entre as declarações do delegado e a realidade atestada pela perícia independente. O caso foi alvo de comoção nacional, quando uma matéria no Fantástico levou em consideração apenas a versão oficial da polícia, negando ao acusado o benefício da dúvida. Acusado injustamente pela polícia, pela opinião pública e pela imprensa, o repórter José Cleves teve que se afastar de suas atividades profissionais e se dedicar à investigação do assassinato de sua esposa e à própria defesa.

O jornalista vinha publicando no Estado de Minas reportagens sobre atividades ilícitas em que estavam envolvidos policiais mineiros, como venda de carteiras de habilitação e comércio ilegal de armas. Conforme contou em carta enviada à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados de Minas Gerais, José Cleves foi vítima de uma armação, cujo intuito era fazer cessar as denúncias que pesavam sobre a polícia.

Em 2008, Cleves foi declarado inocente pelo Superior Tribunal de Justiça e o processo foi arquivado. O STJ entendeu que o conjunto probatório levantado pela investigação da Polícia Civil não tinha fundamento na realidade. O delegado Édson Moreira, que dizia não ter dúvida de que o jornalista havia matado a esposa, continua exercendo normalmente a profissão.

Veja transcrição integral do depoimento de José Cleves à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados de Minas Gerais. (Arquivo em PDF)

Nota de Luís Nassif sobre o delegado

Outras fontes sobre o caso Cleves:
DZAI
Folha

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