Bolívia, jornalismo e galinhas.

3 outubro, 2009 at 05:12 (Uncategorized)

A Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, passa por um momento decisivo em sua história. Aclamado presidente pelas massas, o indígena Evo Morales vem provocando mudanças drásticas na política e na economia boliviana. A nova Constituição, aprovada no começo de 2009, prevê um Estado plurinacional que confere mais direitos às minorias étnicas pobres do que a classe média branca gostaria. As eleições, marcadas para dezembro próximo, prometem dividir o país entre opositores e correligionários de Morales, que tem apoio da população pobre e rural, maioria no país. De acordo com as pesquisas de intenção de voto, a vitória do índio é praticamente certa. Analistas temem que, perdidas as eleições na urna, a oposição articule uma medida para tirar o presidente na marra. Talvez um golpe, seguido de uma guerra civil, o que não seria incomum num país de intituições tão frágeis (vale lembrar que os dois último ex-moradores do Palácio Quemado, sede do governo boliviano, não terminaram seus mandatos).

A despeito de tudo isso, a notícia mais lida na versão online do jornal El Deber, de Santa Cruz de la Sierra (reduto da oposição) foi:

Una gallina puso un huevo gigante y murió


A reportagem conta a trágica história de uma penosa que veio a óbito após botar um ovo com o dobro do tamanho e do peso normais.

Nem vou falar sobre a lei do interesse público que, dizem, deve nortear o processo de escolha entre o que é e o que não é notícia.

O que mais me choca nessa história é que:

por último [o fazendeiro] aclaró que para el legado de Roberta [, a galinha,] no tiene mejores planes que hacerse un enorme omelette.

[grifo meu]


Ou seja, depois de dar a vida para lançar à luz um pedaço da sua prole, a galínácea (já em forma de espírito angelical, as penas, cortesia da vida terrena) ainda terá o desprazer de ver o legado de sua miséria tranformado em comida para humanos.

Durma-se com uma insensibilidade dessa.

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4 Comentários

  1. Cauê said,

    égua, essa foi foda!
    esse cara devia dser preso. Assassino!
    Em dezembro, não esqueça, Evo presidente!

  2. Fernanda Isobe said,

    Que cosa… Mas o teu recorte sobre a situação política do país é mais que importante.

    Claro, é bizarro perceber que tipos de reportagem, como a desta “gallina” excepcional, estão mais presentes em nossa realidade do que nossa vã percepção cotidiana pode “tatear”.

  3. Camilíssima said,

    Também pensei no grande omelete…
    beijíssimos

  4. Juliana said,

    Caraca!
    Nesse caso, preciso deixar de lado meu desprezo pelos palavrões e concordar com o Cauê: essa foi MUITO FODA!

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