Clube do Remo e sua difícil luta contra o rebaixamento absoluto.

10 abril, 2009 at 12:20 (Uncategorized)

atletas do remo

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O Clube do Remo joga no próximo domingo, dia 12 de abril de 2009, a partida mais importante da sua história centenária. A importância do jogo se deve a circunstâncias que os azulinos talvez preferissem esquecer: se não ganhar, o Remo se afunda na maior crise já vivida pelo outrora chamado Filho da Glória e do Triunfo. O adversário é nada menos que o Paysandu, arquirrival e co-protagonista de um clássico que no domingo será reeditado em sua 700ª edição. Será o RE x PA mais importante da história para o Remo, porque tanto pode ser um fôlego a mais para o Leão se esquivar do fracasso, quanto a última queda rumo ao fundo do poço de uma trajetória cheia de tropeços. Saiba a seguir o que levou o Leão Azul de Antônio Baena a chegar ao degrau mais baixo de sua vida.

O começo do fim foi ainda em 2008, em setembro, quando o Clube do Remo era eliminado prematuramente da Série C do Campeonato Brasileiro, no Acre, pelo Rio Branco, com uma goleada de 3 x 0. O placar anunciava um futuro sombrio: eliminado da Série C, o time paraense estava rebaixado à condição de aspirante à recém-criada Série D do Campeonato Brasileiro do ano seguinte. Para conseguir a vaga na quarta divisão, o Remo precisaria de uma boa qualificação no Campeonato Paraense de 2009. Entre uma competição e outra, o clube mudou de presidente, de técnico, dispensou jogadores, contratou alguns outros e começou a temporada de 2009 com atraso (e com derrota para um time semi-profissional do Amapá), o que encheu de preocupação os torcedores azulinos, que achavam que nada poderia ser pior do que lutar por uma irrisória vaga à quarta divisão nacional, o limbo dos clubes brasileiros. Enganaram-se. Com um começo de campeonato trôpego, o Remo viu sua Série D ameaçada pela ascensão de um time santareno, há muito esquecido no cenário local: o São Raimundo. Na estreia dos dois, um susto: goleada de 5 x 1 do Pantera mocorongo (apelido do time de Santarém) sobre o Remo, em pleno Baenão, casa dos azulinos.

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C. Remo 1 x 5 São Raimundo, Baenão.

O placar, dantesco para os belenenses, anunciava o embate que se prolongaria ao longo de todo o campeonato. São Raimundo e Remo lutariam até a morte pela vaga na Série D. Dono de um campanha razoável, o clube azulino viu suas chances de ser campeão do primeiro turno dizimadas pelo alvinegro santareno nas semifinais, em partida única, no Mangueirão. Empate em 1 x 1 com sabor de vitória para o Pantera, por ter tido vantagem graças à melhor campanha no turno. Ao Remo restou o medo de ficar sem calendário para o segundo semestre e o desprazer de torcer pelo Paysandu na final daquele turno contra os santarenos. Se o bicolor vencesse a taça Cidade de Belém (equivalente ao primeiro turno), como de fato aconteceu, o São Raimundo não dispararia tanto na frente do Remo pela vaga na Série D.

Jogando todas as suas fichas no segundo turno, o Leão mandou chamar Artur, técnico e ídolo azulino da década de 90, consagrado dentro de campo e que já tivera uma passagem vitoriosa pelo clube como treinador, no ano anterior, quando fora Campeão Paraense. Dono de uma identificação única com as cores do clube, Artur não enfrentou dificuldades em encarnar o papel de salvador da pátria azulina, título materializado no apelido que recebeu da torcida e da imprensa: Rei, Rei Artur. Mas não demorou muito para que o rei perdesse sua magestade. Começo tímido, a torcida logo percebeu que, como treinador, Artur ainda tinha muito o que aprender. Um golpe mortal foi desferido pelo ídolo do arquirrival, Zé Augusto, do Paysandu, que durante o último clássico golpeou sua “terçadada”, como ficou conhecido o gol da vitória no RE x PA do dia 22 de março de 2008. 1 x 0 Papão e principio de crise no Baenão.

Zé Augusto: terçadada que selou a vitória no clássico

Zé Augusto: terçadada que selou a vitória no clássico

Com o sucesso do São Raimundo, que jogou todo o segundo turno em casa, com uma campanha praticamente irretocável, não restava ao Remo outra alternativa se quisesse ter algum campeonato oficial a jogar no segundo semestre: ser campeão da Taça Estado do Pará (o segundo turno), para decidir com o Paysandu (campeão do primeiro) a Taça Açaí, que é o equivalente ao Campeonato Paraense, de maneira geral. O título de vice-campeão paraense, nesse caso, já seria o suficiente para garantir o Remo na Série D. Mas só ele. Qualquer outro resultado, seria catastrófico para a história remista. O clube chegou à ultima rodada do returno já classificado, esperando apenas a decisão sobre quem pegaria quem nas semifinais. E aí o destino pregou uma peça: quando as estatísticas apontavam o contrário, a combinação de resultados fez com que Remo e Paysandu se enfrentassem numa das semifinais e São Raimundo e Águia (de Marabá), em outra.

Antes porém que isso acontecesse, o Remo teria pela frente um adversário duríssimo, em outra competição que disputava paralelamente, o Clube de Regatas Flamengo, confronto válido pela Copa do Brasil. Seria o jogo da redenção remista. Embalado com duas vitórias por goleada nas últimas rodadas do estadual, os azulinos sabiam que contra o Flamengo no Mangueirão, teriam casa cheia. Se vencessem, chegariam embalados no clássico contra o Paysandu, teriam mais chances de obter vitória e carimbar metade de seu passaporte à Série D, e espantar de vez o fantasma de não ter um calendário oficial em 2009.

No jogo da última quarta, no entanto, dentro da previsão apenas a presença da torcida. Mais de 40 mil espectadores lotaram o Mangueirão e empurraram o Clube do Remo contra o Flamengo, adversário aparentemente superior. Dentro de campo, o que se viu foi uma inferioridade vergonhosa da parte dos azulinos. Um time desmotivado, apático e sem criatividade, praticamente viu o Flamengo jogar, fazer dois gols e eliminar o Remo a vista de um Mangueirão lotado de torcedores azulinos cabisbaixos e atônitos. O time se mostrava aquém da torcida que fez uma festa maravilhosa para incentivá-lo.

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Com a derrota, aumenta a pressão sobre o elenco que enfrenta o Paysandu no próximo domingo, num jogo que é de vida ou morte apenas para um dos lados. Se perder, o Papão sai da disputa do turno, mas ainda espera o vencedor dele para fazer a final do Campeonato, logo em seguida. Se perder ou empatar, o Remo dá adeus ao sonho do título e ao ano de 2009 que se encerra prematuramente, em abril, caso não consiga a classificação. A tarefa remista é inglória. Jogará contra um time completo, que teve um semana a mais para treinar e descansar, jogando pelo empate e tranqüilo, se dando ao luxo inclusive de esperar o adversário e sair no contra-ataque. Além do mais, se contra o Flamengo o Mangueirão era majoritariamente azulino, contra o Paysandu ele vai estar pelo menos metade bicolor, com possibilidade de estar mais bicolor ainda, já que o momento do Paysandu é melhor e o torcedor alviceleste não deve perder a oportunidade de “enterrar” o maior rival, como vem se comentando. Para o torcedor remista, resta a incômoda posição de se equilibrar entre a esperança e o desespero de caminhar rumo ao rebaixamento absoluto.

Independente do que aconteça domingo, dessa história toda fica a certeza de que a massa azulina não merece o time que veste as cores de seu clube. Ficou provado contra o Flamengo que a torcida é grande, apaixonada e não abandona o time nos momentos difíceis. Ficou provado também que as pessoas que administram e jogam pelo Remo não estão à altura dessa torcida, que seu trabalho não respeita o amor dedicado a essas cores por quem grita o nome do clube independente de tudo. Este blog pertence a um bicolor apaixonado e, exatamente por isso, solidário à dor que imagina sofrerem os rivais nesse momento. O que eu vi contra o Flamengo me lembrou o mangueirazzo de 2003, contra o Boca, quando nós bicolores, vimos nosso time cair de pé, também por 2 gols de diferença, para uma equipe que sepultou nossos maiores sonhos. A nossa dor naquela época talvez tenha sido diferente da dor dos remistas hoje. A nós sobrou a certeza de que caímos de pé, lutando, e chegamos tão longe quanto podíamos chegar. A dor remista é melancólica, a vitória representa apenas um estado menos pior do que o atual, muito longe ainda da tradição do clube. Em comum, apenas a fonte dessa angústia: o futebol de nossos clubes. Haverá quem critique a paixão (no sentido de sofrimento) por um clube; haverá quem ache bobagem ou drama desnecessário. Só quem entende o teatro de emoções que se encena cada vez que o árbitro trila seu apito num estádio de futebol, entenderá a dimensão da alegria ou da tristeza de acompanhar os descaminhos de um clube. Nisso, nós, remistas e bicolores somos iguais, em nossa radical diferença. É por isso que de quarta-feira passada até o próximo domingo, não sacaneio, não xingo, não menosprezo remista nenhum em nome de nossa rivalidade clubística.

Até domingo. Domingo, quando nós os enterrarmos de vez com gol do Zé Augusto, levo caixão, cruz e vela, canto, tiro sarro, mando voltar pro chiqueiro, chamo de viado pra baixo. Porque rivalidade é isso e ganhar do maior rival é uma das sensações mais maravilhosas que o futebol pode proporcionar. Empurrá-lo do precipício, então, deve ser mágico.

Bicolores e as cruzes do maior rival, ainda em 2008. História se repetirá?

Bicolores e as cruzes do maior rival, ainda em 2008. História se repetirá?

ATUALIZADO:

Pois é. Não deu. Mangueirão com um público aquém do esperado viu um time apático do Paysandu perder de 2 x 1 para a fraca equipe do Remo. Remo na final do turno contra o São Raimundo de Santarém quem venceu o Águia na semi-final. Os dois brigam pela vaga na Série D.

Quanto mim, além da lágrima caída após o final do apito, sobram os pesadelos constantes com a imagem do Rossini, meia do Paysandu, chutando aquela bola na trave e perdendo o penalty que nos daria um bom resultado no RE x PA. De novo. Rossini já tinha perdido um penalty no primeiro RE x PA do ano. Por mim, apesar de Rossini ser um bom jogador, já pode sair hoje mesmo de Belém, não tem racionalidade nenhum que dê conta de suportar o desespero de perder um penalty em clássico.

Segue a vida.

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